Visita à Quinta das Bageiras – Parte 1

Iniciamos com a visita à Quinta das Bágeiras, um périplo por todos os nossos parceiros, com o objectivo de estreitarmos laços e relações, e de perspectivarmos o futuro. Recordamos que as nossas parcerias se baseiam numa relação de admiração mútua, sendo que, e de forma a respeitarmos a nossa identidade, jamais estabeleceriamos parceria com algum produtor com o qual não nos identificássemos.

Assim sendo, a descrição das visitas será dividida em 3 partes:

  • Parte1: Visita propriamente dita às instalações/propriedades
  • Parte2: Entrevista com o Produtor
  • Parte 3: Almoço/Jantar com Prova de Vinhos do parceiro

Parte 1

Dia chuvoso este. É o início de Junho, e o Verão nem vê-lo. Mas aqui vamos nós na A1 em direcção à Fogueira. Sim, Fogueira, o nome do local da “sede” da Quinta das Bágeiras que, ficamos a saber mais tarde pela boca de Mário Sérgio Nuno, é o único local de Portugal com esse nome. Tivémos uma baixa de última hora por motivos de doença, mas aqui vamos nós.

Saimos da autoestrada na Mealhada, e percorremos todo o circuito dos Restaurantes do Leitão. Restaurantes esses que (também o ficamos a saber mais tarde) perdem todos (no que ao leitão diz respeito) para um restaurante da Fogueira. Depois Anadia, Sangalhos e finalmente a Fogueira. Pontualmente, chegámos ao nosso destino. A Ana, amiga e uma espécie de braço direito de Mário Sérgio,  já estava à nossa espera. E a mãe de Mário Sérgio, sempre atenta, chega logo com as chaves da casa…

Entramos na sede, onde estão expostas algumas das garrafas mais emblemáticas do produtor, e aquelas que estão para venda. Mário Sérgio chega logo após. Conversamos um pouco, e saímos pouco depois, uma vez que o tempo está a dar algumas tréguas, e há que aproveitar.

É em 1989 que é criada a marca Quinta das Bágeiras. Aos 12 hectares existentes nessa altura, Mário Sérgio foi adquirindo mais alguns, até perfazer os 28 actuais, dispersos por cerca de 20 pequenas parcelas (uma delas a parcela Bágeiras, a preferida do Avô Fausto). E Mário Sérgio não está interessado em adquirir muitos mais, embora saiba onde estão os bons terrenos, pelo que nunca se sabe… São algumas dessas pequenas parcelas que vamos conhecer. São poucos kilómetros de carro até Ancas, povoação nos limites da qual se encontram a maioria daqueles terrenos.

Já sabemos que nas castas tintas a Baga predomina esmagadoramente (cerca de 90%). Para Mário Sérgio a identidade é fundamental. E Bairrada é sinónimo de Baga!

Nestas parcelas existem vinhas com idades muito distintas. Por exemplo, a vinha do Casal Pinhoso tem mais de 100 anos; e a vinha que dá origem ao Pai Abel tem apenas 20. Mas o que é comum a quase todas elas são determinadas características: os solos são argilo-calcários, os terrenos inclinados, e a exposição é sul-poente (pois a Baga precisa de muito sol).

Maria Gomes e Bical predominam nas castas brancas, e por vezes encontramo-nas na mesma vinha das tintas, embora em zonas mais baixas. Todos os vinhos da Quinta das Bágeiras são feitos com uvas próprias, e por isso todas estas pequenas parcelas que ao longo dos anos foram sendo adquiridas, foram escolhidas, tratadas e transformadas com todo o cuidado e minúcia. Por exemplo, em algumas parcelas a presença de bosque na sua porção mais alta, é fundamental para dar mais frescura e equilibrio ácido aos vinhos…

Aquelas características acima referidas dos terrenos, são fulcrais para Mário Sérgio. Só assim, diz ele, consegue fazer os vinhos que são característicos das Bágeiras: os brancos com uma acidez, mineralidade e estrutura notáveis; e os tintos, ora mais suaves (como o Avô Fausto) ora mais robustos (como o Garrafeira), mas sempre com a mesma característica: Identidade.

O tempo volta a chatear, e obriga-nos a voltar. Damos um passeio de carro pela zona e avistamos, a partir de um planalto, a extensa vinha do Campolargo, e lá ao longe o edifício da Quinta do Encontro.

De volta à Fogueira, é hora de visitar a Adega. Os métodos de vinificação e armazenamento são tradicionais. Intervenção mínima. Não há leveduras adicionadas. Velhos tonéis avinhados…

Ficamos também a saber que um bom vinagre demora pelo menos 10 anos a fazer. E que (meio a sério, meio a brincar) um próximo projecto de Mário Sérgio pode ser a produção de ovos: “É que não se consegue comer em lado nenhum um ovo de jeito…”. Bem, pelo menos, muitas galinhas já lá estão nas Bágeiras…

Frederico, o filho de Mário Sérgio, juntou-se entretanto a nós. Está a estudar enologia na Universidade de Vila Real. E o pai, com certeza que terá muito gosto que ele faça parte do futuro da Quinta das Bágeiras. Mas com condições: Primeiro, tem de fazer de tudo, como ele. Nem pensar dar uma de enólogo aristocrata… Tem de conhecer a vinha, saber de viticultura, tem de ser adegueiro, tem de saber da promoção e vendas… Segundo, tem de manter a Identidade. Identidade!

Conversamos mais um pouco. Sobre os projectos mútuos. E sobre curiosidades: ficamos a saber que um produtor do Alentejo quer registar um vinho com o nome “Avô Abel”!!!!…

Mas o leitão do Mugasa, já espera por nós… Pelo que temos de passar à entrevista!!!…

W4P (JUN 2018)