Visita à Quinta da Pellada – Parte 1

Depois da visita à Quinta das Bágeiras, continuamos o nosso périplo por todos os nossos parceiros, com o objectivo de estreitarmos laços e relações, e de perspectivarmos o futuro.

Recordamos que a descrição destas visitas é dividida em 3 partes:

  • Parte1: Visita propriamente dita às instalações/propriedades
  • Parte2: Entrevista com o Produtor
  • Parte 3: Almoço/Jantar com Prova de Vinhos do parceiro

Parte 1

Mais um dia chuvoso. Este Junho está realmente atípico. E aqui vamos nós até ao Dão. Ou melhor, até ao sopé oeste da Serra da Estrela.

Pinhanços. Uma localidade entre Seia e Gouveia, a olhar para a grande Serra. É lá que estão a Quinta de Saes e a Quinta da Pellada. Povoação pacata, onde se respira ruralidade. Onde certas coisas ainda são simples. Onde todas as pessoas se conhecem. Onde todas as pessoas se cumprimentam nas ruas. Onde se vêm rebanhos de cabras a passar pelo meio da povoação…

O Engenheiro Álvaro de Castro e a filha, Maria Castro já estavam à nossa espera. Entramos na casa da família, e pouco depois estamos a caminho, pelo meio da propriedade (Saes), com a companhia dos vários cães do Engenheiro. Todos amigáveis, excepto o Leão. Um volumoso serra da estrela que mete respeito: até porque costuma morder a quem ele ache que não é de confiança!!! E também com a companhia amigável do burro Carriço!!! Costuma-se dizer (na brincadeira) que o Carriço é o responsável pela área financeira da empresa. O burro veio do Douro: era de Jorge Serôdio Mendes. Ele e Álvaro de Castro fizeram uma troca: o Engenheiro Álvaro ficou com o burro e Jorge Serôdio levou um cão serra da estrela. A verdade é que o burro adaptou-se bem ao seu novo habitat, e, pelos vistos, sempre presente e amistoso, foi subindo na hierarquia!…

Chegamos ao Jipe mas ele não quer funcionar. A idade não perdoa. Passamos ao plano B e vamos a caminho da Quinta da Pellada

Ao todo são 65 hectares, divididos pela Quinta de Saes, Quinta da Pellada e Vinha do Outeiro (esta última comprada à Passarela na década passada, de onde provêm 50% das uvas para o Pape). Depois existem algumas parcelas alugadas, como aquelas de onde vêm o Muleta, o Dente de Ouro e o Barragem por exemplo.

Ao chegar à Pellada, depois de passar o muro (não há portão), vemos a vinha do Carrocel à nossa esquerda, vinha só de Touriga Nacional, já com uma idade jeitosa, mas ainda assim, talvez metade da idade daquelas vinhas que estão no rectângulo mais à frente, do lado direito: a famosa Vinha Velha da Pellada.

O cenário é magnífico. Temos noção do enquadramento geográfico. A Este a Serra da Estrela; que se continua para Sudoeste com a Serra do Açor; a Oeste vê-se bem o Buçaco; e um pouco mais a Norte lá está o Caramulo. Basta darmos uma volta de pouco mais de 180 graus para termos a perspectiva disto tudo.

Na direcção da Serra do Açor, temos contacto com a vinha de Baga. Uma casta muito especial, e que tem particularidades diferentes neste terroir. Álvaro de Castro só a engarrafa sozinha (varietal) em anos em que ela está excepcional: como foi o Quinta da Pellada Baga 2005, e agora, mais recentemente, o Quinta da Pellada e o Pape Baga 2012 (1000 garrafas apenas em Magnum).

Mas as atenções viram-se para o tal rectângulo da vinha velha. Álvaro de Castro explica-nos que os trabalhos de pesquisa identificaram diferentes microterroirs naquele espaço. Em tão poucos hectares contíguos, existem diferenças significativas sobretudo no solo: uma parte com mais granito, outra mais arenosa… Para além de diferenças na altitude, e na proximidade com a mata… Além disso, sendo uma vinha muito velha (como podemos constatar pela análise das cepas), com castas todas misturadas, algumas delas abundam mais em determinado sítio do que noutro… Foi tudo isto que deu origem ao aparecimento, na colheita de 2013, de vários vinhos provenientes destas microparcelas, e a que Álvaro de Castro chamou “the 90’s séries” (apresentando o rótulo dos vinhos da Quinta da Pellada da década de 90): Casa (a parcela mais próxima do solar), Alto (a porção que está em maior altitude) e talhão 49, todos eles diferentes entre si. Esta experiência, como lhe chama Álvaro de Castro, de apenas 300 e poucas garrafas cada, vai continuar em 2014, com o aparecimento de mais um vinho de outra parcela: Fundo, exactamente a porção com menor altitude, e mais próxima da mata…

Depois, vamos visitar a casa, um solar que se pensa remontar ao século XVI… Um belo edíficio, patusco, ali no meio de toda aquela vinha… É usado sobretudo para eventos, embora também possa alojar alguma(s) pessoa(s) amiga(s). Dele, temos a vista sobre todas aquelas serras que falei…

E é hora de voltar a entrar nos carros. Vamos agora a caminho do Outeiro. Passamos por parcelas menos nobres, e entramos em caminhos que dificilmente imaginariamos que o carro iria passar… Mas passou… O Outeiro fica virado mesmo de frente para a Serra da Estrela. Diz-nos Álvaro de Castro que não percebe porquê mas: A Touriga Nacional do Outeiro origina um vinho com aroma e sabor muito intensos… Uma touriga floral e intensa em todo o seu esplendor.

E começa a chover. Encontramos o Sr. Jorge, o responsável da viticultura da quinta: estão em trabalho de enxertia e encepamento de uma nova vinha (maioritariamente Tinta Roriz) e recebemos uma pequena lição sobre este assunto…

E o tempo pássa e corre célere. Voltamos para Saes para proceder à entrevista. É que ainda temos de ir provar amostras de pipa e visitar a adega, antes de ir para o almoço!!!!!

W4P (JUN 2018)