Quo Vadis Niepoort?

Dirk Niepoort esteve na vanguarda da grande revolução vínica portuguesa da década de 90. Os Redoma são um ícone dessa década. E no início do novo século, para grande gáudio dos enófilos, eis que surgem o Batuta e o Vertente. O Batuta, um vinho que desde a primeira colheita (1999), se colocou no pedestal dos vinhos de topo do Douro e de Portugal. O Vertente, um vinho “corrente” demasiado bom. E um pouco mais tarde surge o Charme, um dos poucos vinhos borgonheses do nosso país, embora conseguido à custa de um “artifício enológico”. Também um vinho de topo. Depois o Robustus…
Tudo vinhos fantásticos. De tal forma que ouvi muitas vezes dizer a amigos meus, algo do género: “Eu só bebo vinhos da Niepoort…”. Embora um pouco redutora esta perspectiva, de certa forma eu compreendi-a.
E assim foi durante alguns anos…
Até que Dirk Niepport começou a fazer várias “derivações”… Projectos vários, parcerias várias, em diferentes zonas de Portugal, em Espanha, na Austria, na África do Sul, e sei lá onde mais…
E eis que surgem os Omlet, os Ultreias, os ADF, os Carnuntum, os Navazos, os Quinta de Baixo, os Concisos, etc…
Coincidência ou talvez não, a verdade é que a qualidade geral dos vinhos modificou-se… para pior… Actualmente, os vinhos de Dirk, em nada fazem jus aqueles primeiros que falámos. O que se terá passado? Demasiados projectos? Dispersão enológica?…
Mas a maior desilusão surgiu numa prova cega, em que se constatou que um dos vinhos era um novo topo de gama da Niepoort. Quase unanimemente foi considerado como um vinho da gama dos 20 euros… Todos ficámos boquiabertos quando foi revelado que afinal era um vinho que custava mais de 100…
Não sei o que se passa. Mas o profundo respeito e admiração que sinto por esta figura ímpar da nossa enologia, faz com que tenha o forte desejo que tudo volte à “normalidade” o mais rápido possível. É que, como diz um amigo meu: “Um Homem pode vacilar… mas não deve cair…”.

P. F. 2017