Marrazes, Leiria

Quando se entra neste restaurante não podemos deixar de notar, o carácter típico do espaço, acolhedor com o seu forno a lenha e chamas a crepitar, os vinhos à vista que fazem dum apreciador como eu, feliz, e a simpatia com muito profissionalismo de quem nos recebe.

Já á mesa somos esclarecidos com simpatia e com inegável formação hoteleira dum jovem funcionário, sobre a ementa deste espaço, realçando as especialidades da casa, o cabrito assado no forno a lenha, o galo capão assado no forno a lenha, este apenas á sexta feira, o bacalhau com natas, a posta mirandesa, etc.

Sentados á mesa, é colocado um tabuleiro de barro, com inúmeros enchidos de porco preto e queijos, o que nos faz imediatamente passar a escolha das entradas e sim passarmos á dos vinhos.

Peco a carta de vinhos, uma carta de vinhos realmente amiga do vinho, vinhos de qualidade de todas as regiões do país e também estrangeiros, ao que o jovem funcionário me diz que constitui a 2ª melhor carta de vinhos do país. Instintivamente pergunto qual a 1ª com um sorriso malandro no rosto, uma vez que ele me responde que não sabe, mas que ia esclarecer com o Sommelier. Digo lhe que achava que a melhor seria a do restaurante YEATMAN apesar de efetivamente não ter tido o privilégio de o comprovar.

Trazem me então a carta de vinhos deixando-me o jovem á vontade para esclarecer duvidas ou sugestões com o Sommelier da casa.

Uma das coisas que mais aprecio são cartas de vinhos das diversas regiões com inúmeros vinhos de qualidade e pode las consultar com calma, no entanto torna se impossível poder ver toda a carta como queria, uma vez que os convivas já estão alegremente nas entradas e anseiam pela harmonização. Posto isto uma das coisas que aprendi no mundo dos vinhos é que temos de escolher

vinhos que possam ser consensuais para a maior parte das pessoas do grupo onde possamos estar inseridos, no entanto gosto sempre de provar novos vinhos pelo que por vezes conjugar as duas coisas não é possível, pelo desconhecimento de certos vinhos em questão. Decido me por um vinho do Douro uma vez que a maior parte das pessoas prefere vinhos suaves e equilibrados, no entanto sem saber se efetivamente o Oboé superior 2011 reuniria essas características. Digo a minha escolha ao Sommelier e pergunto se seria uma das suas opções. O sommelier Ricardo Costa, pessoa simpática, brincalhão, torce o nariz amigavelmente e diz que escolheria por exemplo na mesma gama de preços o Aluzé 2012 da quinta do Pessegueiro, pelo menor grau, 13 graus ao contrario do Oboé superior de 14 graus e dando o exemplo que estando elementos do sexo feminino, escolheria um vinho mais suave, com corpo mas com menos acidez.

Aceito a sugestão para primeiro vinho e o Aluzé da Quinta do Pessegueiro 2012 revela se então um vinho do agrado da maior parte das pessoas, aroma agradável, fruta de qualidade, um pouco floral com algum corpo e final equilibrado e que acompanhou perfeitamente a degustação dos enchidos e queijos.

Chega a altura dos pratos principais, escolhi o cabrito assado no forno a lenha, e vem o Oboé superior. Já tinha confidenciado ao Ricardo Costa que apesar do Aluzé se ter tornado um sucesso, este teria uma melhor harmonização com pratos mais temperados, um dos quais o cabrito assado. Este revela se então um vinho de cor profunda, aroma complexo, encorpado, de taninos fortes mas equilibrados e final longo, confidencio que é mais do meu agrado, no entanto como seria de esperar, a maioria prefere o primeiro.

Entro em conversa com o Ricardo Costa e ele fica a saber da minha preferência por vinhos gastronómicos, não os preferidos da maior parte das pessoas pelo que resolve me surpreender com um copo de vinho para harmonizar com o resto do cabrito e pede-me a avaliação em prova cega. Imediatamente lhe digo, pelo corpo, acidez característica e final, que seria uma baga da Bairrada. Acerto na casta mas falho na região, fico agradavelmente surpreendido quando vejo que se trata de um vinho que tinha gostado bastante no mercado dos vinhos há poucos dias, o Comendador Costa reserva especial 2013 da zona de Setúbal.

Hora de escolher as sobremesas, aceitamos a sugestão do pijaminha e dum vinho madeira para acompanhar, vinhos que estou realmente rendido á sua qualidade agora ainda mais que o vinho do porto.

Ricardo Costa traz um madeira Boal  da Barbeito 10 anos com ligeiro aroma a mel , fino, suave e doce mas equilibrado com uma boa acidez, ao agrado da maioria, e para mim fazendo alusão a que eu gosto de vinhos mais difíceis, traz me um vinho com mais corpo, mais seco e notas de frutos secos, um Borges Sercial 15 anos realmente mais do meu agrado e a seguir um copo de madeira extraordinário, belo aroma com notas de mel envolvente com frutos secos, encorpado, doce mas muito bem equilibrado, com a madeira  e acidez  em harmonia, um vinho soberbo, um Borges Malmsey 30 anos.

Chegou ao fim o almoço, voltamos a ser felizes na Casinha Velha, obrigado pelo sitio acolhedor, o serviço de qualidade de todos os funcionários em especial o Sommelier Ricardo costa pelo seu grau de profissionalismo, simpatia e disponibilidade para com o cliente.

M.B. (OUT 2017)