Não é fácil chegar ao Crasto. Crasto. É a forma como é denominada por aquelas bandas, a Quinta do Crasto. Parece que há uma forma ligeiramente mais fácil de lá chegar: sair directamente da A24 em direcção a Sabrosa. Mas nós estávamos no Pinhão… E nesse caso tinhamos de nos pôr a caminho. Por aquela estradinha estreita, na margem norte do rio Douro, em direcção a Covas do Douro. Passámos pela Quinta de la Rosa, depois pela Quinta do Porto (de onde saem tawnys e outros para a Ferreira), passámos por outras quintas e lugares, inflectimos para o interior, deixando por momentos de ver o rio, até chegarmos a Covas do Douro… Depois seguimos viagem, voltamos a avistar o Douro, passamos pelo cruzamento para a Quinta da Veiga, mas seguimos para baixo em direcção à Quinta Nova. Depois de passármos esta última, sabemos que já não estamos longe. Descemos até ficármos quase ao nível do rio… depois voltamos a subir, e quando avistamos a Quinta da Marka, avistamos também o Crasto, primeiramente a icónica Vinha Maria Teresa, com o seu aspecto outonal… Em suma, são 30 minutos desde o Pinhão, para percorrer poucos kms…

À chegada somos muito bem recebidos. A nossa anfitriã Andreia oferece-nos um café e bolinhos, antes de passarmos à visita pela quinta… passando antes, claro, pela fantástica piscina desenhada pelo arquiteto Souto Moura…

São mais ou menos 70 hectares de vinha, para além do azeite e outras culturas. Ficamos a saber que têm quartos para pernoitar, embora o “hotel” não esteja integrado nos circuitos habituais de hotelaria (funciona apenas por marcação directa, e mesmo assim com muitas excepções…). Aliás, ficamos com a sensação que o futuro desta nuance do enoturismo não está bem definido… Também têm almoços e jantares vínicos (e eventos) por marcação…

Mas seguimos o nosso passeio pela quinta… o Douro a nossos pés… a Quinta de Nápoles de Niepoort no outro lado da margem do Douro… a importância dos fundos comunitários para o desenvolvimento da quinta… e avistamos a Vinha da Ponte… Pouco menos de 2 hectares de vinhas muito velhas, imediatamente pós-filoxéricas… É a primeira a vindimar, e também ficamos a saber que, apesar de inúmeras castas misturadas, predomina a Tinta Amarela. Apesar da marca Quinta do Crasto existir (em vinhos de mesa) desde 1994, foi com a vindima de 1998 que ocorreu a ideia de fazer um vinho com o nome daquelas 2 vinhas mais antigas: Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa. E o resultado não deixou dúvidas…

À medida que nos aproximamos da adega e do “laboratório enológico”, também nos aproximamos da vinha Maria Teresa. Linda, nesta época outonal… Pouco menos de 5 hectares, virados a nascente… Daí estar mais protegida, e dar-se bem nos anos quentes. Mas apesar de haver sempre a tentação de engarrafar estas parcelas separadamente, não é isso que tem sucedido. O enólogo Manuel Lobo de Vasconcelos e a sua equipa é que acabam por decidir: Se acham que a qualidade não é suficiente, quer um quer outro (Maria Teresa ou Ponte) acabam por entrar no lote do “clássico” Vinhas Velhas.

A adega é supermoderna, embora continuem a ser utilizados os métodos tradicionais de pisa em lagares. E o armazém das barricas e toneis impressiona.
E é hora do almoço. A loja de vinhos fica para depois. Bacalhau grelhado e cabrito são os pratos principais… e nas sobremesas vários clássicos tradicionais. O tempo não permite que seja na esplanada, sobre a piscina e o Douro. Mas não ficámos nada mal no armazém… Eis os vinhos que acompanharam o repasto:

Os Vinhos:

// Crasto branco 2015

Este é um branco que normalmente não tem grandes variações de qualidade. É aquilo que é. Das castas tradicionais do Douro, é um branco suave e frutado, com 12% vol. Não é um vinho de piscina, mas também não esperem muito dele. É simplesmente um branco suave e agradável.
. Preço: 8 euros
. Classificação: 15,5v

// Crasto Superior 2014

Este tinto, como o nome indica, provém da quinta do Douro Superior que os proprietários compraram há alguns anos atrás: Quinta da Cabreira, cuja dimensão é maior que a Quinta do Crasto (cerca de 120 hectares de vinha), e onde se encontram vinhas maioritariamente jovens.
Este ano, o perfil deste vinho está diferente. É um vinho mais encorpado que o habitual, mais denso, e isso nada tem a ver com o facto de ainda estar jovem. Mas está lá a fruta muito intensa, está lá todo o sabor, e todo o Douro superior que normalmente o caracteriza. O perfil é diferente, mas o conjunto é muito agradável.
. Preço: 14,50 euros
. Classificação: 17v

// Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2014

De todos os que provámos este é o menos pronto; ainda estava muito jovem… Mas não há dúvida que a qualidade vai-se manter. O perfil também é o habitual. Um vinho encorpado e guloso, com o carvalho americano ali a espreitar…
. Preço: 28 euros
. Classificação: 17,5v

// Xisto 2013

7ª edição deste vinho (2003, 2004,2005, 2009, 2011, 2012). Um vinho que prima pela finesse. O aroma e o sabor parecem de um Douro típico, mas é a finura e a elegância que salta ao palato, desde o momento que o colocamos na boca até ao final que é fantástico. Tão jovem e já tão maravilhoso.
. Preço: 72 euros
. Classificação: 18,5v

// Quinta do Crasto Colheita 1997

Ora aqui está o primeiro colheita da Quinta do Crasto. Engarrafado em 2016, portanto quase um Porto 20 anos. Pela cor parece mais jovem, mas logo o aroma denota muita complexidade. E a boca confirma isso mesmo, com frutos e figos secos em abundância, untuosidade agradável e final muito interessante. Um bom pudim e um bom leite-creme harmonizam que nem ginjas. Belo colheita.
. Classificação: 17,5v
. Preço: 60 euros

QUINTA DO CRASTO
Quinta do Crasto, Gouvinhas 5060-063 Sabrosa – Portugal
T: (+351) 254920020

P.F. (NOV 2016)